Gustavo Hofman

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O outro lado do drama italiano tem a alegria sueca

Gustavo Hofman
Veja os melhores momentos de Itália 0 x 0 Suécia

A Suécia é responsável direta pelas eliminações de Holanda e Itália. O outro lado dos dramas de holandeses e italianos tem a festa sueca e muito mérito. 

A classificação veio sem o melhor jogador do país. Zlatan Ibrahimovic anunciou a aposentadoria da seleção logo após a Euro, e mesmo que não tivesse tomado essa decisão, teria ficado de fora da reta final das eliminatórias e dos playoffs por causa da lesão sofrida no joelho direito.

Foram dois Mundiais seguidos sem a presença sueca, além de três quedas consecutivas na fase de grupos da Euro. Erik Hámren sucedeu Lars Lagerbäck e ficou no comando do time entre 2009 e 2016. Foi quando Janne Andersson, após cinco temporadas no Norrköping e o título nacional de 2015, assume o comando do time, já sem Ibra.

Sem qualquer inovação, mas com muita disciplina tática, ele iniciou a caminhada para a Rússia e vai completar no ano que vem. Não houve mudança de esquema: o time joga no 4-4-2 há muitos anos. São duas linhas de quatro jogadores, com dois atacantes à frente. Fase defensiva extremamente compacta e bem organizada; Fase ofensiva de transição pelos lados, com velocidade, e jogadas diretas trabalhadas para os atacantes.


Andersson teve como mentor um profissional da área esportiva, mas não do futebol especificamente. Bengt Johansson, lendário técnico de handebol da Suécia - três medalhas de prata olímpicas, bicampeão mundial e tetracampeão europeu - foi seu professor ainda na escola.

Viktor Claesson, do Krasnodar, e Emil Forsberg, do RB Leipzig, são os jogadores criativos, enquanto Ola Toivonen e Marcus Berg, antigos parceiros de Ibra e ambos com 31 anos, hoje são os responsáveis pelos gols.

Desde a Copa de 1994, nos Estados Unidos, quando a Suécia foi terceira colocada, e dois anos antes quando fora semifinalista da Euro, uma seleção do país não obtém sucesso em grandes competições. Aquele time tinha muito mais talento, com o lendário goleiro Thomas Ravelli, o meia Tomas Brolin e os atacantes Martin Dahlin e Kennet Andersson, além do ainda garoto Henrik Larsson, que só jogou o Mundial.

Agora, esta seleção sueca já causou muito barulho ao deixar Holanda e Itália para trás. Com boas histórias, inclusive, como a declaração de Mikael Lustig sobre os torcedores italianos, após o jogo, de que "quando é hino nacional, você deve mostrar respeito, e eles não fizeram". Ou então o drama vivido pelo meio-campista Jakob Johansson, autor do gol no jogo de ida contra a Itália e substituído no segundo com uma lesão nos ligamentos do joelho.

Trata-se de uma equipe que prioriza o coletivo, e isso ficou muito evidente nesses confrontos. Sem Ibrahimovic - ao menos por enquanto - falta algo a mais para, realmente, pensar alto. Mas isso agora é assunto para ser trabalhado nos próximos meses, afinal, eles estão na Copa. Enquanto os italianos choram de tristeza, as lágrimas na Suécia são de alegria.

Jogadores da Suécia invadem programa dentro de campo e quebram bancada comemorando vaga na Copa