Paulo Cobos

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Na sua era de ouro de títulos, Corinthians vê (sem contar Arena) dívida subir 372%, recorde entre os grandes

Paulo Cobos, blogueiro do ESPN.com.br
Diretor de futebol do Corinthians, Flávio Adauto revela teto salarial do clube

Tão surpreendente como a espetacular campanha invicta do Corinthians no primeiro turno do Campeonato Brasileiro foi a divulgação dos números das finanças do clube nos seis primeiros meses de 2017.

Para quem esperava uma dívida menor e diminuição na folha salarial do clube, os números decepcionaram. O clube teve um déficit total de R$ 35 milhões, sendo mais de R$ 18 milhões apenas com o futebol. Mas o dado mais preocupante é algo que praticamente só sobe desde que o Corinthians começou sua era de ouro em termos de títulos.

Desde 2009, quando voltou à primeira divisão depois de jogar a Série B, o clube ganhou nada menos do que nove títulos (dois Brasileiros, três Paulistas, uma Copa do Brasil, uma Libertadores, um Mundial e uma Recopa). Naquele ano, já com o grupo político que administra o clube até hoje, o Corinthians devia R$ 100 milhões.

No final de 2016, esse valor saltou para R$ 425 milhões. Agora, depois do primeiro semestre de 2017, esse valor já é de R$ 472,4 milhões, ou nada menos do que um aumento de 372% em relação a 2009. No mesmo período, a variação do IGP-M, um dos índice oficiais de inflação do Brasil, foi de apenas 59%.

Nenhum outro grande clube brasileiro viu a dívida crescer tanto nestes anos.  A dívida do Flamengo, por exemplo, cresceu até abaixo da inflação (49%). E isso com números do final de 2016, sendo que nos últimos três anos os débitos do clube caem de forma acelerada.

Com os R$ 472,4 milhões da dívida atual, o Corinthians já deve mais que o Flamengo (eram R$ 460,6 milhões no final de 2016).

E a vida corintiana é ainda mais difícil quando o clube ainda precisa pagar quase R$ 1 bilhão da construção do seu estádio. No "Bola da Vez" desta terça-feira, o diretor de futebol, Flávio Adauto, garantiu que a diretoria não pretende vender jogadores para tapar o déficit nesta janela de transferências.