Mulher quer comandar o futebol nos EUA: 'Sou a pessoa mais qualificada para assumir a Federação'

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Kathy Carter vai se candidatar à presidência da Federação de Futebol dos EUA
Kathy Carter vai se candidatar à presidência da Federação de Futebol dos EUA

A não classificação da seleção masculina  dos Estados Unidos para a Copa do Mundo da Rússia-2018 (o que não acontecia desde 1986) pode abrir portas para a liderança de uma mulher no País. É que após a eliminação dos homens, Sunil Gulati, presidente da Federação de Futebol dos EUA desde 2006, decidiu não concorrer à reeleição de fevereiro. E Kathy Carter, ex-goleira com décadas de experiência em marketing esportivo de alto nível, anunciou nesta semana que vai se candidatar ao posto.

Nas últimas três eleições, não houve nem mesmo os dois candidatos necessários para abrir concorrência. Dessa vez, no entanto, o número já chegou a oito, e ela é a única mulher. E chega cheia de confiança.

“Acredito que nenhum outro candidato tenha as habilidades que eu tenho. Meus 25 anos de experiência me deram contatos e perspectivas de setor corporativo, mídia e futebol. O futebol pode e deve se tornar o principal esporte em nosso País e pretendo fazer com que isso se torne realidade. Sou a pessoa mais qualificada para comandar a Federação nos próximos anos." 

Se seu currículo pode contar a favor, sua ligação com o cenário vigente, no entanto, pode pesar contra. Kathy Carter é presidente da Soccer United Marketing (SUM), parceiro exclusivo de marketing da Federação e um dos braços comerciais da Major League Soccer (MLS), primeira divisão do futebol masculino nos EUA e no Canadá.

Para os críticos da atual gestão, ela seria apenas um símbolo do grupo que vem controlando a federação há anos, mesmo já tendo tirado licença do cargo e avisado que se for eleita, renunciará. Alguns dos concorrentes falam em conflito de interesses e resistência à mudança.

“Haverá o momento certo para discutirmos os possíveis conflitos de interesse. Mas agora, é hora de celebrarmos um mulher inteligente e experiente que, com certeza, vai agregar valor à discussão”, disse Kyle Martino, ex-jogador  da seleção e candidato.

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Seleção feminina está classificada para a Copa do Mundo de 2019, na França
Seleção feminina está classificada para a Copa do Mundo de 2019, na França

Carter defende que o futebol nos Estados Unidos prosperou financeiramente com Sunil Gulati e que é necessária, agora, uma visão de negócios. “A Federação precisa de novas lideranças, que compreendam questões não só de jogo, mas operações comerciais também Nosso progresso exige excelência em todos os níveis, dos programas de base às ligas profissionais e às nossas seleções.”

Mulher de negócios, Carter quer uma gestão participativa e não impositiva. “Alguém que diz ter todas as respostar que impor seus pensamentos. Quero o contrário, quero liderar discussões, pedir opiniões, pensar junto em o que e como fazer e tornar nosso futebol mais inclusivo. Meu primeiro passo é ganhar respeito e confiança.”

Sua eleição pode ser de grande valia para equalizar tratamento e salários de atletas na seleções feminina e masculina dos Estados Unidos, discussão frequente no País. “Não deve haver distinção entre gêneros”, disse à Associated Press.

Carter também foi vice-presidente do Anschutz Entertainment Group – dono do time Los Angeles Galaxy; e executiva na Envision e sua subsidiária ISL United States, que tinha negócios com a Fifa, o Comitê Olímpico Internacional e a Federação Internacional de Atletismo. Ela também trabalhou no comitê organizador da Copa do Mundo de 1994.

Seus sete concorrentes, até aqui, são os advogados Steven Gans e Michael Winograd; três ex-jogadores da seleção dos EUA, Eric Wynalda, Paul Caligiuri e Kyle Martino; o vice-presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos, Carlos Cordeiro; e o empersário Paul Lapointe. Para efetivarem suas candidaturas, todos precisam ter até o dia 12 de dezembro ao menos três indicações do atual conselho.