Os números escancaram: Messi não foi heroico somente contra o Equador

Mateus Carreira, do DataESPN
Getty Images
Messi teve atuação magistral diante do Equador
Messi teve atuação magistral diante do Equador

Messi é o craque da seleção argentina e foi o herói da classificação albiceleste, sem nenhuma dúvida. Fez justamente o que vinha sendo cobrado dele, que chamasse a responsabilidade e ‘resolvesse’ o problema, que ‘carregasse a equipe nas costas’. Lio atendeu às cobranças que vinham lhe rondando, mas o gênio argentino já carregava o piano por lá há muito tempo, e os números dizem isso.

Tendo como base de pesquisa o TruMedia, banco de dados esportivos exclusivo da ESPN, podemos ver claramente o impacto direto de Lionel Messi nos resultados da Argentina. É possível dizer que dos craques internacionais que estão na Copa de 2018, Messi é o que maior protagonismo tenha.

Na realidade, ele é o segundo que mais teve participação direta em gols quando esteve em campo, só perdendo para Mohamed Salah, maior contratação do Liverpool para a atual temporada e camisa 10 da seleção egípcia, que retornou a uma Copa do Mundo após 28 anos de ausência. A interferência de Salah nos gols que os Faraós marcaram enquanto ele atuou foi de 100%. Foram 7 tentos marcados no total, sendo cinco de própria autoria e mais duas assistências.

O feito de Messi é ainda mais incrível, porque a Argentina, ao menos teoricamente, não deveria depender tanto do talento de apenas um jogador quando se tem Dybala, Agüero, Di María, Icardi, Higuaín e companhia. Mesmo assim, o craque foi responsável direto por 69,3% dos 13 gols marcados pela seleção duas vezes campeã do mundo quando ele esteve presente: balançou as redes adversárias sete vezes e deu duas assistências.

Quando Messi esteve fora, a Argentina sentiu. E muito. Sem seu capitão, a Argentina amargou um aproveitamento de 29,2%, com uma vitória, quatro empates e três derrotas. Com Lionel em campo, o aproveitamento pula para incríveis 70% de aproveitamento, com seis vitórias, três empates e apenas uma derrota.

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O peso dos craques em suas seleções
O peso dos craques em suas seleções

É inevitável que grandes craques sejam os pontos centrais das seleções em que atuam, mas a Argentina – que perigou ficar fora da Copa de 2018 – escancarou uma fragilidade que, pelo menos julgando-se pelo material humano disponível, não se deveria ter: o coletivo. Grandes nomes que atuam em seleções bem menos tradicionais e até vistas como mais fracas do que a Argentina, como Lewandowski (Polônia) e Cristiano Ronaldo (Portugal), tiveram ‘menos peso’ que Lionel Messi. Ele foi imparável, mas teve um entorno muito fraco.

A mira dos argentinos foi um dos pontos fracos. Não foram raras as vezes nas quais o camisa 10 criou grandes chances para finalizações tortas e imprecisas. Nas eliminatórias sul-americanas, a Argentina foi a equipe que mais finalizou para chegar a um gol, com média de 12,4 chutes/gol.

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Sendo assim, dá pra entender o porquê de o presidente Mauricio Macri ter ligado para agradecer a Lionel Messi. Mas não se deve agradecer somente pela salvação contra o Equador. O piano vem sendo carregado faz tempo.

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