Conmebol quer final da Libertadores estilo 'semana Super Bowl'; Miami fora do páreo

Antônio Strini, do ESPN.com.br
Getty
Libertadores pode ter mudança em sua final, mas ideia ainda causa polêmica
Libertadores pode ter mudança em sua final, mas ideia ainda causa polêmica

No final de setembro, a Conmebol lançou o calendário de suas competições para 2018, e a Libertadores pode sofrer o impacto mais profundo de todos: há uma data separada para o torneio ter sua final disputada em jogo único, 1º de dezembro.

A polêmica proposta do presidente da entidade que rege o futebol sul-americano, Alejandro Domínguez, divide opiniões dentro do órgão.

Afinal, como tornou-se tradição, a Libertadores realiza dois jogos para definir o campeão, um na casa de cada finalista - possibilidade que está contemplada para o próximo ano, com as partidas marcadas para 7 e 28 de novembro.

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Nas suas primeiras edições, a competição chegou a ter três duelos na decisão, sendo o último em campo neutro caso fosse necessário.

A Conmebol reconhece que uma final de Libertadores em jogo único traria prejuízos aos dois clubes classificados, pois ambos não conseguiriam arrecadar o mesmo com as bilheterias em uma cidade "neutra".

Por isso, segundo apurou a reportagem, a entidade tem na cabeça a ideia de realizar um "evento" com seu jogo mais importante, ficando muito mais perto de um estilo "semana Super Bowl" do que semelhança com a final da Liga dos Campeões da Europa - que, por sinal, realiza jogo único para definir o campeão apesar de nas fases anteriores no mata-mata fazer partidas de ida e volta.

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A cidade que for escolhida como sede da final seria responsável por fazer uma semana de atividades envolvendo os clubes para atrair turistas e população local. Com isso, a chance de o estádio estar cheio para a decisão aumenta, e os finalistas conseguiriam angariar dinheiro para compensar a perda de seu jogo como mandante.

Quatro cidades se interessaram em receber o possível evento já em 2018: Lima, Miami, Rio de Janeiro e São Paulo.

No entanto, a cidade norte-americana está fora do páreo - pelo menos para os primeiros anos de final em jogo único - pois não possui o DNA de torneios sul-americanos e é distante para praticamente todos os países do continente.

Para que a proposta de Domínguez seja aprovada, a Conmebol terá de passar por duas etapas: antes do sorteio da Libertadores 2018 em 20 de dezembro próximo na sede em Luque, no Paraguai, ela será enviada à sub-comissão de clubes, cujos representantes são os 16 classificados às oitavas de final da edição atual (neste caso, Atlético-MG, Atlético-PR, Barcelona-EQU, Botafogo, Emelec-EQU, Guaraní-PAR, Godoy Cruz-ARG, Grêmio, Jorge Wilstermann-BOL, Lanús-ARG, Nacional-URU, Palmeiras, River Plate-ARG, San Lorenzo-ARG, Santos e The Strongest).

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Se eles aprovarem a ideia, ela seguirá para o conselho da Conmebol, que pode aprová-la em caráter definitivo e com validade para 2018.

No entanto, se a maioria dos clubes votar pelo "não", dificilmente a nova final da Libertadores será aprovada pelo conselho.