Via WhatsApp, jogadores do Grêmio decifram rivais e estudam Lanús para a decisão

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O time do Grêmio estuda. E estuda muito seus adversários. Não poderia ser diferente na final da Copa Libertadores. Pelo WhatsApp, os jogadores receberam amplo material, incluindo vídeos de oito a 10 minutos de cada um dos 30 jogadores inscritos pelo Lanús. A ideia do grupo de atletas reunido a partir do aplicativo de mensagens surgiu no passado, ainda com Roger Machado como treinador. Foram comprados pen drives para cada um receber o conteúdo, até que o volante Edinho perguntou: "E onde vou usar isso?".

Perceberem que muitos jogadores não têm computador, apenas smartphones. "Meu celular faz tudo, pra que computador?", questionou o atleta, para surpresa geral. Desde então eles recebem vídeos, relatórios, scouts, dados físicos, tudo via WhatsApp. É um protocolo padrão, todos têm o material antes de enfrentar qualquer rival, seja o Aimoré pelo Gaúchão ou na decisão internacional desta quarta-feira. A única diferença é que em jogos de mata-mata são feitos os mapas de pênaltis, tanto dos batedores quanto dos goleiros.


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Marcelo Grohe em ação na Libertadores: mapas de pênaltis de todos os batedores rivais
Marcelo Grohe em ação na Libertadores: mapas de pênaltis de todos os batedores rivais

Diante da equipe argentina, cada um dos possíveis cobradores de penalidades máximas saberá onde o arqueiro Esteban Andrada saltou nas últimas contra ele. Da mesma forma Marcelo Grohe conhecerá os cantos escolhidos pelos batedores do Granate. Praticamente todos os times do Brasil, pelo menos os de séries A e B e alguns da C; têm departamentos de análise de desempenho. O que varia, devido à capacidade de investimento, é a visão que se tem sobre o setor, sua importância, quantidade de pessoas, os hardwares e softwares, parcerias, etc.

O Grêmio foi o primeiro a constituir um núcleo específico, em 2006, com o Mano Menezes e Rafael Vieira, hoje ao lado do treinador na coordenação da mesma área no Cruzeiro. Os tricolores até "exportam" analistas, como Tiago Duarte, hoje no Sport; Lucas Oliveira, Atlético-PR; Bebeto Sauthier que esteve na seleção olímpica; e Roberto Ribas, promovido a auxiliar de Roger Machado. Hoje Eduardo Cecconi coordena o setor. Jornalista, está no Grêmio há quase seis anos e com ele atuam mais dois analistas, Antônio Cruz e Rafael Pinto. 

O vídeo abaixo mostra a análise feita pelo CDD (Central de Dados Digitais), nome com o qual o Rafael Vieira batizou o setor em 2006. O trabalho se baseou no último jogo do Barcelona de Guayaquil, contra o El Nacional, antes da partida de ida das semifinais da Libertadores, contra o time gaúcho. Mostra posicionamento da equipe de Guayaquil em bola parada, organização ofensiva e defensiva. 

Trabalho do Núcleo de Análise de Desempenho sobre o Barcelona-EQU feito antes da semifinal

A atual direção revitalizou o setor, com computadores, iPads e câmeras novos, assim como softwares de edição, parceira de scouts, entre outros recursos. O núcleo segue conceitos difundidos mundialmente pela Universidade do Porto, ou seja, os padrões de análise baseiam-se na teoria e na prática que o professor Julio Garganta e seus inúmeros discípulos desenvolveram. O que muda, de comissão técnica para comissão técnica, é a adaptação da linguagem. 

Quando o objeto do estudo é o Grêmio, e não os adversários, são enfatizados conceitos do treinador, seguem o modelo de jogo. A equipe trabalha com observação, interpretação, contextualização e transmissão de informação e conhecimento sobre  a equipe e seus adversários, sem juízo de valor. Observar nos mínimos detalhes as características de cada oponente é missão básica para qualquer time de futebol que o pratique em alto nível. Para isso, é importante que os atletas compreendam a importância de tal estudo. E o Grêmio tem essa sorte. 

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Entrevista: Renato ‘Gaúcho’ Portaluppi diz que estuda o Lanús e garante Grêmio pronto para a final

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br
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Renato e os jogadores com o torcedor William, que tem câncer: homenagem surpresa
Renato e os jogadores com o torcedor William, que tem câncer: homenagem surpresa

William, 22 anos, tem câncer na pleura, com metástase nos ossos e na pele. Ele descobriu a doença jogando futebol, caiu machucou o ombro e foi internado. Não o diagnosticaram num primeiro momento, sentiu falta de ar, voltou ao hospital e o mal foi detectado. Deram-lhe seis meses de vida e já luta há três anos.

 Mas sua situação é gravíssima. Fez um último pedido ao pai: conhecer um jogador do Grêmio, fosse reserva, titular, não importava. A história chegou a Renato ‘Gaúcho’ Portaluppi, e o rapaz foi levado ao Centro de Treinamentos por orientação do técnico. William sentia fortes dores e teve que tomar morfina para suportá-las. Ele não sabia quem iria conhecer.

Foi ao CT do Grêmio numa cadeira de rodas que arrumaram na hora. Renato mandou todos os jogadores assinarem uma camisa tricolor e os reuniu no auditório. O rapaz foi levado de surpresa ao local e se deparou com todo o grupo de atletas à sua espera. "Entra, Wiliam", ordenou o treinador. O jovem foi saudado com aplausos do elenco. Ganhou a camisa, fez fotos, foi cumprimentado e recebeu agradecimentos de todos, um por um.

O pai do rapaz mandou fazer uma faixa de três metros em agradecimento aos jogadores e ao Grêmio. A história ocorrida há dias da primeira partida decisiva da Copa Libertadores integrou ainda mais os gremistas em torno do objetivo comum. Renato conversou com o blog, falou sobre esse episódio, de que maneira ele mexe com os atletas, assim como a aventura dos que foram de ônibus ao Equador — clique aqui e leia. Ele analisou o adversário e deixou claro: está estudando o Lanús.

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O jovem William, ao chegar à sala de entrevista do Centro de Treinamentos do Grêmio
O jovem William, ao chegar à sala de entrevista do Centro de Treinamentos do Grêmio

Renato, sua experiência em Libertadores, jogando e treinando o Fluminense na final em 2008, o está ajudando em que desta vez?

Ajuda bastante porque disputei várias Libertadores como jogador e treinador, e é importante passar essa minha experiência dentro e fora do campo, porque é uma competição muito disputada e de muita malandragem também, especialmente pelos times argentinos. Então é importante ter alguém no grupo que possa passar essa experiência toda aos jogadores para que fiquem mais tranquilos.

Como você imagina que vá se comportar o Lanús em Porto Alegre?

Deve vir com seus cuidados, uma coisa normal, para sair daqui vivos, para buscar um bom resultado, tentar achar um gol, apesar de que é um time que gosta de jogar também. Mas sabem que não podem se atirar para cima do Grêmio, é um jogo de 180 minutos, eles terão muitos cuidados, como tiveram contra o River Plate no primeiro jogo da semifinal.

O time está pronto ou falta algum ajuste importante para quarta-feira?

Está pronto, tudo que poderíamos fazer a gente fez, em todos os sentidos, em termos de descansar o time, não perder o ritmo de jogo... Tudo que poderíamos fazer, nós fizemos.

Mudaria algo nessa caminhada?

Não faria nada diferente do que fiz até então. E domingo, contra o Santos, vou segurar 15 a 16 jogadores comigo, os reservas imediatos que jogavam sempre já estão com ritmo de jogo. Ao invés de 11, vamos segurar 15 jogadores, estão todos com ritmo e seria um risco muito grande colocá-los em campo, podemos precisar de um deles logo no começo da partida de quarta-feira.

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Faixa que o pai de William fez para agradecer aos jogadores pela homenagem ao filho
Faixa que o pai de William fez para agradecer aos jogadores pela homenagem ao filho

Quando quer motivar os atletas, qual a importância de torcedores como os que foram de ônibus a Guayaquil e do rapaz com câncer que conheceu o time?

Ontem mesmo peguei a faixa que o pai dele mandou de agradecimento, e falei para o grupo: 'O pai dele não tem condições de comprar um quilo de pão e mandou fazer a faixa agradecendo. Eu falo para eles, vocês têm que olhar para o lado e para trás, para lembrar as dificuldades. Se olhar pra frente e só reclamar esquece o que passou. O grupo ficou muito sensibilizado com o episódio do garoto e no Equador também elogiei nossa torcida que foi de ônibus. Mal viram o jogo e já tiveram que voltar para ver o jogo aqui em Porto Alegre. Temos que valorizar isso e dar uma alegria a eles.

Você tem uma equipe que o ajuda no trabalho de observação dos adversários e um auxiliar técnico, Alexandre Mendes. Como você utiliza as informações, a ajuda desses profissionais?

É sempre importante esse trabalho e ter uma pessoa assim ao lado. Ele é meu braço direito, conheci no Fluminense em 1995, levei pro Vasco e sempre trabalhou comigo. A gente conversa bastante e troca muitas ideias antes durante e depois dos jogos. Duas cabeças pensam melhor do que uma.

Renato está estudando o Lanús?

A gente já viu vários jogos do Lanús. Agora, nesse momento, não estão jogando, mas os dois jogos contra o River já assisti, basicamente é aquilo ali, dificilmente terá uma mudança drástica e conheço muito bem o time deles e eles a nós. Não tem hoje em dia como esconder, a TV a internet mostram tudo. Conosco não é diferente, daqui não escapa nada.

 

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Torcedores encaram 12 mil Km de ônibus durante 11 dias para ver o Grêmio e pedem ‘liberdade para torcer’

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O blog abre espaço para a Geral do Grêmio relatar sua aventura pelas estradas, rasgando a América do Sul, até o Equador, onde foram buscar a vitória e a classificação para a decisão da Copa Libertadores da América, contra o Lanús, da Argentina. Uma aventura marcada pela paixão pelo clube. Inadmissível um jogador de futebol não deixar tudo na cancha sabendo que dezenas de pessoas fizeram tamanho esforço para apoia-los.

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Integrantes da Geral do Grêmio em parada no deserto do Atacama: 11 dias na estrada
Integrantes da Geral do Grêmio em parada no deserto do Atacama: 11 dias na estrada

"Foram 11.786 quilômetros entre ida e volta. De ônibus, enlouquecidos pelo tricolor gaúcho cumpriram uma jornada que durou 11 dias. Certamente uma das maiores viagens de torcida feitas via terrestre no futebol mundial. É preciso deixar bem claro que a Geral do Grêmio não contou com nenhum apoio financeiro da direção do clube. Fez tamanha epopeia com a força própria e com o esforço dos seus torcedores que, literalmente, deixam a vida de lado para alentar o Grêmio onde o Grêmio estiver.

Ao atravessar a Argentina, Chile, Peru e finalmente chegar ao Equador para a partida contra o Barcelona, em Guayaquil, a Geral do Grêmio percorreu as entranhas da nossa América Latina para seguir o Imortal em busca do sonho de conquistar a Libertadores pela terceira vez. Dificuldades como alimentação escassa, estradas perigosas, falta de recurso financeiro, burocracia e atrasos nas fronteiras, entre outros, foram superadas pela parceria entre os 40 sócios do clube que fizeram esta viagem histórica.

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Integrantes da Geral do Grêmio percorreram longas horas com poucas paradas
Integrantes da Geral do Grêmio percorreram longas horas com poucas paradas

As principais dificuldades que enfrentamos, além do óbvio desgaste pelo tamanho da viagem, foram nas Aduanas. Ao perceberem que se tratava de um ônibus de torcida, o mínimo que ficávamos por fronteira para realizar os trâmites era 3 horas. Em alguns casos, 5 horas, como na fronteira do Peru com o Equador. Quando entramos no país do adversário, as complicações aumentaram. Sistema fora do ar, burocracia desnecessária, mas acabou tudo dando certo.

Essas demoras fizeram com que nós cancelássemos algumas paradas para chegarmos antes da partida começar. Mas funcionou perfeitamente, com tensão, mas tudo no roteiro. Quando entramos na arquibancada, no momento em que a banda se posicionou, o Grêmio entrou em campo. 

Ao longo do caminho, outra dificuldade teve ligação com a estrutura precária dos locais que parávamos para fazer a alimentação, tomar banho, etc. Raramente algum lugar que oferecesse estrutura adequada. E foram 11 dias, então praticamente nos mudamos para dentro do ônibus por esse período. E os paradouros longe um do outro, portanto, em vários momentos, passávamos 15, 20 horas sem interromper a viagem. 

Outra questão foi a moeda. A maioria levou dólar achando que seria aceito, mas no Peru e na Argentina, raramente um estabelecimento aceitava dólar, só a moeda local. A questão de reabastecer os suprimentos do ônibus, na estrada também tivemos dificuldades em achar locais adequados para fazermos essas compras.

O dia a dia da viagem era a perspectiva da partida, a ida, depois a volta na Arena, falando sempre de Grêmio, alguns jogos, carteado, filmes, bate papo entre nós, enfim, tudo que pudesse fazer para distrair e passar o tempo. E tivemos muito tempo. Importante ressaltar que este tipo de viagem, este tipo de maratona em torno de um objetivo comum, é o que fortalece a amizade entre os torcedores e cria vínculos de irmandade entre esses loucos pelo Grêmio. 

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Geral do Grêmio no estádio em Guayaquil: chegada em cima da hora
Geral do Grêmio no estádio em Guayaquil: chegada em cima da hora

A repercussão na mídia é bacana, a viagem foi histórica e é sensacional ter este feito reconhecido, inclusive por Renato Portaluppi, que nos citou na coletiva pós jogo, e pelos demais gremistas, que nos aplaudiram ao entrarmos na arquibancada. Além de seguir o Grêmio, o que faz todos os sacrifícios valerem a pena. 

A chegada no estádio foi bem tranquia. Estávamos em cima do laço, mas a escolta policial foi importante para que chegássemos a tempo na cancha. Passamos por milhares de torcedores do Barcelona, mas nada além de xingamentos e provocações. Todo mundo se ajudando, seguindo o lema do Trago, Alento e Amizade, consagrado pela Geral do Grêmio desde a sua fundação.


Gremistas encararam 11 dias de viagem de ônibus até Guayaquil, passando por desertos e precipícios

E a vitória de 3 a 0 fechou com chave de ouro este roteiro inesquecível protagonizado pela torcida. O resultado que garantiu a equipe na final da Libertadores. A Argentina ficou mais perto depois desta peregrinação pelo continente. Estaremos ainda mais fortes na final. O Grêmio tem a nossa devoção.

Acesse a página do Grêmio no ESPN FC, com textos de Eduardo Jenisch

A Geral do Grêmio se coloca entre as mais pesadas torcidas do continente e a festa fortalece a marca do clube. A avalanche fazia parte das chamadas dos programas esportivos. Será que um dia volta? Recebimentos históricos, festas inesquecíveis, tudo isso agrega valor ao Grêmio, comprovadamente trazendo associados à instituição, ajudando a fanatizar os futuros torcedores, além de ajudar o time a conquistar as vitórias. Esta viagem histórica repercutiu em diversos veículos do continente. Pela nossa festa. Só queremos ter liberdade para torcer!

A Geral do Grêmio fez história na América Latina".

No vídeo abaixo, de Ducker, Guayaquil tomada pelos gremistas:



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Crise: Fla tem ambiente destruído, cartolas sem rumo, racha entre jogadores e técnico sem apoio

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

O ambiente não poderia ser pior no Flamengo. O comando do futebol está fragilizado ao extremo, sem rumo, e com parte do elenco pouco empenhado em fazer o que deles espera o treinador. Há até quem tema que Reinaldo Rueda faça como Mano Menezes em 2013, e repentinamente peça demissão. Sério, o técnico não parece ter mais o que fazer para que o time seja minimamente competitivo na reta final da temporada, isso com uma taça e a vaga na Libertadores ainda em jogo.

Há jogadores que falam com pessoas próximas sobre dificuldades para compreender precisamente o que deles espera Rueda. Na derrota para o Coritiba por 1 a 0, o colombiano gritou e gesticulou em vão à beira do gramado. Há quem alegue sentir a mudança da preparação física, que passou a ser feita pelo compatriota do técnico Carlos Eduardo Velasco — o auxiliar é Bernardo Redín. Os três trabalhavam juntos no Atlético Nacional.

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"Parte mental difícil de explicar", Reinaldo Rueda, após Coritiba 1 x 0 Flamengo

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Outros atletas se queixam da armação do time. Márcio Araujo e Arão costumam ser vistos juntos, mas isolados do restante. Alguns costumeiramente substituídos na Série A, como René (quatro vezes), Geuvânio (cinco) e Rômulo (duas), se sentiram em alguns momentos responsabilizados por más atuações, ao saírem do campo ante os olhares que entenderam como de reprovação do treinador.

A escolha de Reinado Rueda ao eleger Pará como capitão não foi bem recebida. Nas ausências de Réver, Juan e Diego, o camisa 21 ganhou a braçadeira, mas não convenceu seus colegas, pela falta de perfil, de liderança, seja lá de que tipo, por parte do lateral-direito. Para muitos, Diego Alves seria a opção natural. Além disso a idade média elevada do time na maioria dos jogos gera discussões.

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Fred Luz e Bandeira de Mello esperam jogadores na entrada em campo, deixando o vestiário
Fred Luz e Bandeira de Mello esperam jogadores na entrada em campo, deixando o vestiário

Já a presença no vestiário do CEO Fred Luz e do presidente Eduardo Bandeira de Mello não agrada à maioria. Especialmente com os cartolas acompanhando momentos mais íntimos do grupo, como a corrente, a oração pré-jogo, esperando na saída do vestiário, etc (vídeo abaixo). Os dois dirigentes apostaram todas as fichas no trabalho do hoje pressionadíssimo Rodrigo Caetano e, sem saber o que fazer, a dupla agora apenas torce para que algo mude. 

Dirigentes do Flamengo, Bandeira e Luz recebem jogadores na saída do vestiário para entrada em campo

Jogadores fazem comparações entre o time de Reinaldo Rueda e seu antecessor. Há quem diga que o Flamengo perdeu rendimento e que faltam informações. "O Zé Ricardo era muito bom, só que ele é novo, cometeu muitos erros por que ele é novo. A gente estava cheio de informação, tínhamos muitas situações de gol, a gente criava. Hoje vejo um time sem ideais", desabafou um deles.

Rueda vê 'falta de contundência' no Flamengo e lamenta momento ruim: 'Parte mental difícil de explicar'

É evidente o descontentamento de parte do elenco. O desempenho em campo confirma a falta de sintonia entre o que é pedido e o executado. Isso num cenário que tem de um lado a comissão técnica colombiana, do outro a brasileira. Rueda não se conforma com a fragilidade mental da equipe (vídeo acima) e automaticamente questiona o trabalho do coordenador de psicologia, Fernando Gonçalves, um dos mais controversos personagens desse Flamengo à deriva. 

Fred Luz cuida de processos, da rotina. Embora por perto na maioria das vezes, mesmo sendo chefe de Rodrigo Caetano na hierarquia do clube, o CEO costuma apenas acatar as decisões do Diretor Executivo, erre ou acerte. Já o presidente, que se agarrou à ideia de que bastaria dar sequência ao trabalho (vídeo abaixo, gravado em maio) para que tudo desse certo, sofre pressões, fica politicamente cada vez mais isolado e nitidamente não tem ideia do que fazer.


Há seis meses, quando disse que nada mudaria, Bandeira de Mello perdeu a chance de ajustar rumos fazendo cobranças, identificando erros e dispensando atletas sem condições de seguir nesse Flamengo 2017 com ambições mais elevadas. Hoje vê Caetano de um lado, parte do elenco de outro, uma ala de jogadores num canto, garotos da base no outro e os colombianos Cuellar e Berrío em mais outro, com os argentinos Mancuello e Conca encostados e pensando no adeus.

Mozer, cuja função é estar perto do elenco e, entre outras ações, contornar problemas, está isolado. Cenário que ainda conta com o (até aqui) observador vice de futebol Ricardo Lomba, há menos de seis semanas na função e de quem se espera medidas efetivas. No meio disso tudo, Reinaldo Rueda. Dar instruções não é o bastante. A questão não é só técnica ou tática, falta o básico, organização e união. Pelo jeito o contrataram sem saber bem qual seu estilo, sem ter convicção. Até onde o colombiano vai desejar seguir em meio a tamanho furdúncio?

O Flamengo é um avião em pane, sofrendo em pleno voo, e ninguém dentro dele dá sinais de que saiba como aterrizar. Mesmo que consigam, em terra firme não parece existir um mecânico capaz de fazer reparos necessários. Desastrosa crise.

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Vitória só acalmou Palmeiras, que pensa em Abel e ainda mira Roger. Ambos também interessam ao Inter

Mauro Cezar Pereira, blogueiro do ESPN.com.br

A vitória sobre o Flamengo foi recebida como um "calmante" no Palmeiras. Os 2 a 0 facilmente alcançados em pouco mais de meia hora de futebol arrefeceram ânimos num domingo marcado pela manifestação da torcida antes e durante a saída da delegação do Centro de Treinamentos para o Allianz Parque. Isso dias depois de Egídio ser ofendido no aeroporto durante desembarque após a derrota para o Vitória, em Salvador, e ser punido pelo clube, que teve elenco e técnico se apresentando coletivamente para uma espécie de entrevista/desabafo.

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Abel tem contrato com o Fluminense até 2018: na mira de Inter e Palmeiras
Abel tem contrato com o Fluminense até 2018: na mira de Inter e Palmeiras


O cenário não mudou para Alberto Valentim. Sua permanência em 2018, que se tornou dificílima após a derrota para o Corinthians e praticamente impossível depois de perder na Bahia, segue improvável . Abel Braga, experiente e acostumado a lidar com jogadores e elencos de peso, é o preferido. Pesa, num primeiro momento, a questão pessoal, já que o treinador perdeu tragicamente seu filho de 19 anos, morto no Rio de Janeiro em agosto. Além disso precisaria ser liberado pelo Fluminense, o que não parece — seu contrato vai até o final do ano que vem.

Abel ainda não conversou com sobre seu futuro com o presidente tricolor, Pedro Abad. Os dirigentes do clube carioca não sabem qual será sua escolha, se vai querer descansar um pouco por conta do episódio que o atingiu há três meses. Hoje saber qual será sua decisão é considerado algo difícil, por ser algo muito particular. E se o treinador quiser se afastar ao menos momentaneamente do futebol, o Fluminense respeitará tal opção. Caso seja oficializada uma proposta que o leve das Laranjeiras, os tricolores não farão força para segurá-lo, ainda mais com a rejeição de parte da torcida quanto à permanência.

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Roger Machado, quando ainda era técnico do Atlético: retorno na temporada 2018
Roger Machado, quando ainda era técnico do Atlético: retorno na temporada 2018

Mas se Abel quiser apenas trocar de clube, opções não faltarão. O presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, e seu vice de futebol, Roberto Melo, trabalharam com ele em 2014. O clube gaúcho deseja sua volta. Ele não seguiu no Colorado por opção de Vitório Piffero, que venceu a eleição para o biênio 2015/2016. Ao mesmo tempo, Roger Machado, que desde sua saída do Atlético decidiu voltar a trabalhar no futebol apenas em 2018, está na mira do clube gaúcho e também do Palmeiras. Ele é uma espécie de Plano B em ambos os clubes para a próxima temporada.

Num clube sempre exposto a tensões políticas e protestos de torcedores, a "casca" criada por Abelão após décadas de carreira pesa na opção palmeirense. Apesar de chamar a atenção por suas ideias na montagem do time, Roger desperta dúvidas sobre como enfrentaria dificuldades até certo ponto previsíveis quando o time sofrer alguma dificuldade. Algo parecido com o que Eduardo Baptista viveu no começo deste ano. No Internacional, a história do atual treinador do Fluminense é a credencial maior, mas o ex-gremista é a opção pelo que pode apresentar.

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